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Celebração


“Pondo-se no encalço da bem-aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo. Onde quer que esteja, se estiver no encalço da bem-aventurança, estará desfrutando aquele frescor, aquela vida intensa dentro de você, o tempo todo.” (Joseph Campbell)

 

 
D
sde os tempos remotos, celebrar é próprio da natureza humana. Os ritos de celebração surgiram, ao que tudo indica, quando nossos ancestrais, ainda nômades e caçadores, se reuniam, após uma caçada, para agradecer à Natureza pela comida e também para reverenciar o espírito da presa abatida. Um agradecimento pelo alimento que a própria caça, através do seu corpo, fornecera. (Lembrar que acreditavam que, ao ingerir a carne da presa abatida, incorporavam sua força, sua coragem, sua destreza, suas características, enfim.)

Contavam suas histórias uns para os outros, falando e gesticulando, provavelmente, sobre as coisas que haviam acontecido durante a caçada. Quando eram contados seus percursos, as impressões pessoais, sobre o ato - também encarado como um ritual - e quem falava, ao que tudo indica, eram aqueles indivíduos mais bem sucedidos (ou as mais corajosos?), que passariam a ser identificados como importantes daquele agrupamento humano porque na caçada estiveram e dela retornaram vivos para contar!
Dando um salto no tempo, encontramos, mais recentemente, os "ritos de comemoração”: costumavam ter lugar em ocasiões especiais, devido a propósitos que, até os dias atuais, são muitos e variados: vão desde nascimento de alguém, passando pelos ritos de passagem, pelas obrigações religiosas, ou da admissão em um grupos fechado (Maçonaria, Rosacruz etc.), ingresso ou conclusão do Ensino Superior, Arte, encerramento de uma data festiva , falecimento, execução penal, conclusão de cursos, jornada, provas esportivas abertura e encerramento dos jogos olímpicos (que em si mesmos, são, até hoje, uma espécie de competição e de celebração ao mesmo tempo) etc.
Todos eles tem um denominador comum: comemorar o final de um percurso ou a consecução de um feito importante, isto é comemorar algo que tem um significado importante para quem comemora.

Por quê gostamos de celebrar?
Porque isso nos põe em contato com nossa humanidade, isto é, com aquilo que Carl G. Jung (1959) chamou de “arquetipologia essencial de nossa vida espiritual”. Por isso, um ritual, ao fim de cada etapa ou ao final do percurso, é capaz de nos manter na trilha; é capaz de nos situar diante da meta a ser alcançada e da importância que o atingimento da meta significa. Como resultado a manutenção ou até o aumento d motivação.

“Os mitos antigos foram concebidos para harmonizar a mente e o corpo (...) os mitos e os ritos [são] de colocar a mente de acordo com o corpo, e o rumo da vida [em concordância] com o rumo apontado pela natureza.” (adaptado de Campbell, 1985)

A vida contemporânea nos sinaliza com um excesso de “necessidades”: geralmente “necessitamos” cada vez mais deste ou daquele bem de consumo. O Marketing e a Mídia nos estimula tornar nosso dia a dia muito pragmático e voltado para o ”ter”. Isto nos afasta dos nossos valores, das nossas crenças mais primárias; nos desloca, nos afasta de nosso próprio eixo ao substituir nossas crenças mais centrais, nucleares, de grande valor, principlamente quando nos põe em comunhão com a natureza - e, portanto, com a nossa própria essência, por outras crenças voltadas para o consumismo ou para aquilo que não é essencial.
Determinados setores da economia agem deliberadamente a promover essa substituição e, consequentemente, nossa desumanização. Isto pode chegar a tal ponto que indivíduos menos conscientes - ou desavisados - podem não saber para qual rumo querem encaminhar suas vidas e / ou, em que direção. Não têm consciência de qual estágio daquela jornada, tão sonhada nos tempos da juventude, de fato estão e, muitas vezes descobrem que se perderam na jornada e não tem a mínima ideia de que estão sendo induzidos a um rumo ou a um ato que só faz bem para aqueles que vende o produto ou serviço em questão; o qual passou a acreditar serem "de fundamental importância".
Na medida em que progredimos na estrada da vida, além das tarefas inerentes à nossa evolução, vamos nos tornando mais e mais responsáveis pelos nosso espaço, pelos nossos lares, pela nossa família, pelo bairro onde moramos, pela cidade e pelo país que escolhemos para viver etc. Isto é natura e é saudável; faz parte do amadurecimento do ser humano.
seteanoes
Imporância para o que realmente importa
Mas, muitas vezes, a sociedade do consumo também costuma criar “imperativos” do tipo “não vivo sem o meu telefone celular” ou “me sinto insegura não usando roupas de marca” ou ainda "deixe-me ver o que estão postando na rede social" são pensamenteos (respostas) que, aumentam o imediatismo e a ansiedade e, fingindo aproximar. acabam distanciando as pessoas umas das outras e do equilíbrio de si mesmas.
Outras vezes, a interação através das web acaba por ser menos dispendiosa em termos de energia - mais sedutora, portanto - e tem sido capaz de desagregar famíias inteiras, ao invés da promover a aproximação. (Paradoxalmente, pois nunca foi tão fácil e plural se comunicar como nos dias atuais; e casais sentam-se um defronte o outro no restaurante, sob o pretexto de "jantar juntos"e acabam ficando sem nada dizer pessoalmente posi cada qual está com seu iphone teclando com seu "grupo" social virtual.)
O momento da alimentação deve ser um momento especial: "deve se revestir de um completo cerimonial, em que o alimento conversa com o organismo e lhe oferece todas as coordenadas para que se antecipe, preparando o recinto de recepção de maneira harmoniosa e produtiva, sem correrias." ( Cobra, 2000:10
)
Antes de dormir, celebre seu dia.
"O sono é a 'chave' da vida, da disposição da energia e do bom humor. Se você não dorme bem, não adianta fazer o corpo trabalhar porquê o esforço não dá em nada."(Cobra, 2000:90)
Devemos aproveitar o momento de ir dormir para fazer um singelo ritual diário para celebrar o que foi feito naquele dia. Mesmo que não tenha sido um bom dia. Celebre o dia que acabou de acontecer; agradeça por mais um dia e pela oportunidade de tê-lo vivido.

A caminho, sempre em frente

Ao fazermos uma parada para celebrar, (mesmo que seja celebrar de forma singela o final de mais um dia vivido) estamos dando a nós mesmos a condição de recuperar e manter vivo dentro o própósito da jornada . Isto parece reciclar nas instâncias subconsciência das n nossas mentes aquele sentimento ancestral de respeito pela vida – o mesmo que os nossos ancestrais tinham para com o mundo que viviam.
Permite que nos situemos na "estrada" que um dia resolvemos trilhar. Permite perceber avanços, retrocessos, estagnações; dá sentido às nossas vidas, e reaviva a consciência das escolhas que fizemos; percepção do rumo tomado e foco sobre o que é essencial na nossa jornada; traduz a experiência interior para nossa vida exterior.

Lembre-se: “todas essas coisas estão ao nosso redor como presenças, representam forças, poderes e possibilidades mágicas da vida que embora não sejam suas, fazem parte da vida e franqueiam o caminho da vida.” (Campbell, 1985)

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Publicado em 29/03/2009 Atualizado em 14/11/2016


Para referir:Maximino, M.R. in internet, disponível em http://www.marcosmaximino.psc.br. acesso em dd/mm/aaaa.

 

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