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Uma Pitada de Ciência na Salada do Bem e do Mal


Visto com um viés científico, o Mal pode ser considerado um ingrediente indispensável para a restauração e a manutenção do Bem.

“ Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. ”
 (Ditado popular)

 
C

onsiderando a existência de Deus Pai, que é o Amor (1) e o Bem (2) Supremos, vem:  em Sua onipotência, por que permitiria o sofrimento, as mortes prematuras, tantas desgraças e horríveis atrocidades? Em uma só pergunta, por que permite a existência do Mal?
É um beco sem saída; uma pergunta legítima, diante da qual a maioria dos sacerdotes tergiversa pela ameaça que ela representa aos seus dogmas.
Mas, e se, para efeito de raciocínio, “lutando com as palavras”  – como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade (3) – substituíssemos “ por quê? ” pela pergunta “ para quê? ”,  será que encontraríamos uma saída legítima por meio de respostas consistentes e verdadeiras?
Vejamos...

 

Canapés


O Modelo Científico e o Princípio da Conservação da Energia.

 O “Modelo Científico” é uma representação simplificada e abstrata da realidade que os cientistas constroem para descrever, explicar e prever fenômenos e processos em diferentes áreas do conhecimento humano (4).
O Modelo Científico vigente atualmente é uma robusta e coerente construção do saber humanos, fruto o conhecimento obtido pelos filósofos da Antiguidade e, principalmente, pelos Cientistas desde o Iluminismo até hoje.
Baseia-se   em princípios fundamentais, obtidos pela Pesquisa Científica, que estabelece leis naturais que mostram como funciona um determinado objeto de estudo e isso ocorre nas diferentes áreas de estudo (5).
Uma dessas leis, a Primeira Lei da Termodinâmica, mostra que a energia de um sistema está diretamente relacionada ao potencial que esse sistema tem em si mesmo e à velocidade à qual este sistema está submetido. Na forma de Mecânica Clássica: E= T+V

Cada subsistema do Universo tem um potencial de energia inerente a si mesmo.

 

Antipasti


A conservação da energia

Se considerarmos, para o universo em larga escala – o Universo –, um princípio fundamental chamado Lei da Conservação da Energia (6), o qual afirma que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada, mas a soma total de energia no sistema permanece constante, notaremos que não é possível haver perda de energia, ou seja, a energia se transforma ou se desloca de um objeto para outro.


Existe uma tendência natural ao deslocamento da energia entre os subsistemas do Universo
(7) .                                                                                     

Zuppa


O que é entropia?

A Segunda Lei da Termodinâmica, estabelece que “a entropia (8) de um sistema isolado tende a aumentar ao longo do tempo, ou pelo menos, permanecer constante”.

Em termos práticos, significa que um determinado sistema tende a se tornar mais desordenado e tendem à siapersão da sua energia, a menos que haja alguma entrada de energia externa para mantê-los em um estado organizado.

Este conceito não está restrito apenas à Física (à Termodinâmica) mas também tem aplicações em outras áreas, como a Teoria da Informação, a Teoria da Probabilidade, as Ciências da Computação, a Biologia. Em todas elas desempenha um papel crucial na compreensão e descrição dos sistemas e processos envolvidos.

Mas, se aplicarmos o conceito de entropia ao “universo em larga escala”, isto é, a todo o universo no qual vivemos, o prórpio Universo torna-se um único sistema isolado. Sendo único, não há como receber adição de energia. Daí decorre que toda energia nele contida é trocada entre seus subsistemas mas nelo, como um todo, nele permanece constante.

Uma vez que também é verdade que existe a expansão do Universo, então posemos concluir existe uma troca de energia entre seus subsistemas. Essa energia se espalha por uma área maior e se torna menos concentrada em regiões específicas. o que nos leva a concluir que há um aumento da entropia do Universo como um todo.

Ou seja, tudo e todos estamos sujeitos ao aumento da entropia; em outras palavras, é por causa disso que as coisas se desagregam e os seres envelhecem até morrer.


A entropia aumenta em todo o Universo.

 

§


O conceito ‘entropia’ também é usado na Biologia para entender a organização e os processos que ocorrem nos sistemas biológicos.

Embora a entropia esteja associada à dispersão de energia e à desordem em sistemas físicos, na Biologia é um pouco diferente: também se refere à quantidade de energia térmica não utilizável, bem como à perda da energia disponível para realizar ‘trabalho útil’ em um organismo.

Assim, se quiser manter-se vivo, para compensar esse dispêndio de energia, um sub-sistema biológico do Universo será obrigado a alimentar-se, isto é, buscar em uma fonte externa - noutro subsistma - a reposição da energia inevitavelmente perdida ao manter-se vivo.
E ele o faz instintivamente através dos comportamentos inatos de busca de alimento, que variam em cada espécie, estabelecendo, assim, uma cadeia alimentar.

Os sistemas biológicos, entendidos como sub-sistemas do Universo, não estão livres do aumento da entropia.

Sistemas biológicos têm uma necessidade inata de alimento a fim de repor energia.


§

Primo piatto


Etologia: o comportamento dos seres não-humanos.

“ A mulinha carregada de latões
vem cedo para a cidade
vagamente assistida pelo leiteiro.

Pára à porta dos fregueses
sem necessidade de palavra
ou de chicote.

[...]
Sua cor é sem cor.
Seu andar, o andar de todas as mulas de Minas.
Não tem idade – vem de sempre e de antes –
nem nome: é a mulinha do leite.

É o leite, cumprindo a ordem do pasto. ”

(MULINHA - Carlos Drummond de Andrade)

Independente de terem sido criados por Deus ou de terem sido obra do acaso, isto é, da combinação aleatória de moléculas compostas por carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N) e fósforo (P) (9), sabemos, através da Teoria da Evolução (10) e também da Etologia (11), que as espécies animais evoluíram com comportamentos adaptativos os quais envolvem  a busca de alimento, a construção de abrigos, a defesa do território, a interação social, a reprodução e outros aspectos fundamentais para a sobrevivência.

Isso se deu de diversas maneiras, que variaram de espécie para espécie. Por exemplo, as abelhas “trabalham” em colônias altamente organizadas, onde cada indivíduo desempenha um papel específico na busca de alimento, construção e manutenção da colônia, proteção da rainha, entre outras tarefas necessárias para a sobrevivência da colmeia; já os predadores solitários gastam grande parte de seu tempo em atividades como caçar, marcar território e garantir acesso a recursos.

Esses comportamentos são os resultados do aprendizado, da evolução biológica e das pressões seletivas que moldaram as fisiologias e os comportamentos de cada espécie ao longo do tempo. São influenciados por instintos, estímulos ambientais, genética e interações sociais.
Embora muito se assemelhem ao trabalho humano, não podem ser considerados como tal pois ‘trabalho’ é definido como “aplicação das forças e faculdades humanas para um determinado fim” (Ferreira, 1999).

O trabalho envolve motivação, raciocínio, tomada de decisão, altruísmo, ou seja, um esforço consciente e intencional que requer capacidade de abstração e outros recursos cognitivos que os animais não têm.
Mas, por similaridade, podemos estabelecer uma correlação positiva entre as atividades de sobrevivência dos animais com  as atividades humanas: as ações para busca e obtenção do alimento, por exemplo, tanto em animais como em humanos contém muitos pontos de semelhança e podemos, para efeito de raciocínio, considera-las um “trabalho”.

Por exemplo, as formigas “trabalham” diuturnamente; os tamanduás, que almoçam as formigas cinco a seis vezes por dia, “trabalham” menos que as formigas; já as onças pintadas, que jantam os tamanduás, passam vários dias sem comer, isto é, só “trabalham” quando voltam a sentir fome.
Alguns dos meus amigos e amigas – ótimos seres humanos – adoram passar 15 dias ou mais deitados na rede de uma bela Pousada à beira do mar ou na espreguiçadeira de uma bela praia. Não se dão ao trabalho nem de comer, pois pedem ao garçom para trazer-lhes as refeições onde estão se deitados, ainda por cima e as respectivas namoradas/namorados fazem questão de dar-lhes a comidinha na boca!

Ou seja, quanto maior a oferta de quantidade e/ou variedade de alimento, menor a motivação de um indivíduo dispender energia para se alimentar.

Então, não seria absurdo considerar, em hipótese, que em todos os sistemas biológicos – seres humanos inclusive – existe uma tendência natural à inação coerente com a lei universal de conservação de energia.

Além disso, notamos que quanto mais subimos na cadeia alimentar, maior é a tendência a não fazer nada, maior a tendência ao não-trabalho e isso é diretamente proporcional à oferta de opções e quantidades de alimento disponível.

Quanto maior a disponigbiliddae de alimento, menor a necessidade de agir.

 

Secondo piatto

Psicologia: o comportamento dos seres humanos.

"O cérebro é um órgão que funciona como centro do sistema nervoso em todos os animais vertebrados (e muitos dos invertebrados), operando como uma máquina biocomputancional que evoluiu de acordo com o processo de seleção natural, sendo selecionado para que os organismos respondam de formas biologicamente mais vantajosas (garantindo maior probabilidade de sobrevivência e procriação) aos desafios impostos pela natureza."
(Pedro Calabrez, 2017)

Psicologia é definida como “o estudo científico do comportamento e dos processos mentais”, e sempre tratou do estudo das experiências humanas; é uma ciência que fala da nossa vida de forma real e significativa.

“Os primeiros registros sobre Psicologia datam de séculos atrás dos escritos dos filósofos [da Antiguidade Clássica]. Mais de dois mil anos atrás, o filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) escreveu extensivamente sobre o sono, os sonhos, os sentidos e a memória. [Mais tarde, no Iluminismo,] René Descartes (1596-1650) propôs uma doutrina chamada dualismo interativo (12)” (Cf. Hockenbury, 2003, colchetes meus)

Mas foi com Wilhelm Wundt, que fundou o primeiro laboratório de Psicologia Experimental na Universidade de Leipzig, Alemanha, em 1879, que a Psicologia, ganhou o status quo de ciência, ao adotar uma abordagem que fazia uso do método científico.

Desde então, muitos modelos foram construídos e descartados na tentativa de melhor explicar os fenômenos psicológicos dos animais e dos seres humanos, incluindo temas como motivação e aprendizagem.

 

Contorni

Aprendizado & Motivação

 

Aprendizagem

Aprendizagem refere-se a uma alteração relativamente duradoura de comportamento ou conhecimento que ocorre como resultado da experiência de um indivíduo.” (Hockenbury & Hockenbury, 2003)
Ocorre em qualquer situação e é uma dimensão importante do comportamento de praticamente todos os animais, pois surge da necessidade de adaptar-se ao meio.

Existem muitas maneiras de se aprender algo, mas, para este trabalho, nos restringiremos a duas delas: o Condicionamento (13) e a Aprendizagem Observacional.

 

CONDICIONAMENTO

Condicionamento é um dos processos pelos quais um indivíduo aprende. Ele se dá pela associação entre eventos ambientais e as respostas – conscientes ou não – que o organismo apresenta.
Existem diferentes formas de condicionamento: o Condicionamento Clássico, descrito por Ivan Pavlov (1849-1936), que estudou comportamentos desencadeados involuntariamente e automaticamente;  o Condicionamento Operante, proposto por Burrhus Frederick Skinner (1904-1990), cuja premissa básica é que o comportamento é moldado e mantido por suas consequências; a Punição que diminui a repetição de um comportamento.


O condicionamento clássico trata dos comportamentos que são eliciados (14) , ou seja, o estímulo não produz um novo comportamento, mas causa a ocorrência de um comportamento existente.


O paradigma do condicionamento clássico é:   S  -> R

 
Não somente respostas fisiológicas – salivação ou resposta imunológica, por exemplo – mas também respostas emocionais – medo ou desejo sexual, por exemplo – podem estar sujeitas ao condicionamento e ele pode ser diferente de espécie para espécie.

Isto ocorre devido às predisposições biológicas, que são modeladas pela evolução de cada  espécie e que determinam se o condicionamento de dará de uma ou de outra forma. [Cf. (Hockenbury & Hockenbury, 2003)p. 165-177]  Ou seja, um organismo está, de forma inata, mais ou menos predisposto a formar associações entre certos estímulos e repostas em detrimento de outros estímulos; o estímulo condicionado específico realmente faz diferença no condicionamento, dependendo da natureza do sujeito que está sendo condicionado.

Além disso, o condicionamento clássico pode mudar a representação interna que um organismo tem do mundo pois os indivíduos – animais inclusive – ativamente processam a informação acerca da confiabilidade ou não dos sinais (estímulos condicionados) que percebem,  bem como avaliam o valor de previsão do estímulo.

Também somos condicionados por nossos próprios comportamentos; Edward Thorndike (1874-1949) demonstrou que comportamentos seguidos de uma satisfação eram fortalecidos e a probabilidade de serem repetidos aumentava; contrariamente, os comportamentos seguidos de uma situação desagradável ou aborrecedora eram enfraquecidos e diminuía a probabilidade da repetição. (Lei de Efeito)


§

O condicionamento operante trata dos novos comportamentos que são ativamente emitidos e acabam sendo condicionados e, por causa disso, o indivíduo adquire uma ampla variedade de comportamentos voluntários que desempenha no cotidiano. A aprendizagem resultante é um processo no qual o comportamento é modelado e emitido por suas consequências.

O paradigma do condicionamento operante é:   S  -> R -> S.

Esse comportamento voluntário – operante – pode obter duas formas de reforço: positivo e negativo; mas ambos aumentam a probabilidade de o indivíduo repetir o comportamento futuramente.

O reforço positivo ocorre em apresentar na sequência de um operante um estímulo reforçador, algo que é gratificante, e acaba aumentando a probabilidade da repetição do comportamento.
Já o reforço negativo compreende a remoção de um estímulo desagradável (estímulos aversivos (15)) aumentando a probabilidade de um comportamento ser repetido.

Nos seres humanos, praticar o bem é um operante positivamente reforçado pelo meio, assim como qualquer comportamento que elimine um mal-estar – individual ou relacional – servirá de reforço negativo para o indivíduo e aumentará a chance de novos comportamentos que promovam o Bem.

§

Aprendizagem por observação

Até aqui enfatizamos a aprendizagem que ocorre pela ação do indivíduo intervindo no meio. Mas, tanto animais como seres humanos têm a capacidade de do aprendizado por meio da observação do comportamento de outros indivíduos e ganhar a condição de imitá-los.

Albert Brandura (1925-2021) mostrou que a aprendizagem observacional é o resultado de processos cognitivos que são “altamente críticos e construtivos” e que, em se tratando de imitação, o reforço não é essencial para a aprendizagem ocorrer.
Segundo Brandura, a imitação é o resultado da interação de quatro processos cognitivos:

  1. Prestar atenção no comportamento da outra pessoa;
  2. Lembrar o comportamento , isto é, formar uma representação mental do comportamento para que possa repeti-lo;
  3. Transformar essa representação mental em ações que você é capaz de reproduzir;
  4. Deve estar presente algum tipo de motivação para realizar a imitação pois a tendência para executar um comportamento aumenta se houver a expectativa de uma recompensa.

 

Motivação

“Motivação refere-se às forças que agem sobre um organismo ou dentro dele para iniciar e direcionar o comportamento” (Hockenbury & Hockenbury, 2003); está presente tanto em animais como em humanos.
Para os seres humanos, a motivação é “influenciada pelos traços de personalidade alojados nas profundezas do inconsciente” (O Livro da Psicologia , 2012).
Também sofre influência das necessidades biológicas, que são forças a como ‘fome’ ou a ‘sede’ ou a necessidade de dormir, isto é, são estímulos incondicionados (16) que, aliados às sensações gratificantes – recompensa (17) – que eles produzem no organismo, são capazes de criar um condicionamento no indivíduo.
A motivação é compreendida pela Psicologia como um fenômeno multidimensional, o que significa que existem várias dimensões (ou componentes) que influenciam e explicam o comportamento motivado das pessoas sendo a emoção uma delas.

Emoção & Motivação

Então, podemos pensar uma determinada motivação como se fosse uma força resultante que,  como numa soma vetorial, representasse o potencial da ação de  várias componentes.
Uma componente importante e sempre presente é a ‘emoção’ inerente à situação vivida pelo indivíduo. Uma força importante, que promove a motivação, numa interação complexa de fatores físicos, comportamentais cognitivos e sociais.

Teoria do Impulso (Drive)

Outra componente importante da resultante ‘motivação’ é o comportamento motivado pelo desejo de reduzir a tensão interna causada por necessidades biológicas não preenchidas.
Aqui poderíamos incluir a necessidade de fazer cessar a dor, pois ‘dor’ é uma experiência sensorial e/ou emocional desagradável que desencadeia respostas biológicas e comportamentais no organismo.
A dor faz parte dos males que os seres podem vivenciar.
Podemos, então, concluir que, uma dor, seja ela seja ela uma dor física ou psicológica, elicia  a motivação no sentido de eliminá-la, ou seja, eliminar o mal-estar a fim de restaurar a homeostase (18) do organismo.


Conclusão: diante do mal (19), surge uma tendência inata a agir para eliminar o mal-estar e restaurar o bem-estar.

A motivação psicológica

Além das componentes instintivas e daquelas destinadas a lutar por um autoconceito positivo, e por um potencial pessoal – consideradas inatas e internas – para compreendermos a força resultante ‘comportamento motivado’ de um indivíduo devemos considerar a influência do meio-ambiente.

O meio atua como uma força externa: “sem um meio de apoio e de encorajamento – pessoal, social e cultural – a motivação para lutar em direção a um potencial mais alto de uma pessoa pode estar comprometida” afirma Abraham Maslow (1908-1970).  (Vide Anexo-16)

“As pessoas são motivadas de forma inata a satisfazer uma progressão de necessidades; começando com as necessidades fisiológicas mais básicas. Uma vez que as necessidades em determinado nível são satisfeitas, o indivíduo é [compelido] a satisfazer as necessidades no próximo nível, progredindo de forma constante em direção ao topo. O objetivo final é a autorrealização, que é a [plena] realização dos potenciais pessoais. ”  [(Hockenbury & Hockenbury, 2003) colchetes meus]

Então, para os seres humanos existe uma tendência que vai desde satisfazer suas necessidades básicas até autorrealizar-se e, para que isso ocorra, deverá realizar coisas boas para si e para os outros seres.
Ou seja, para realizar a necessidade inata da autorrealização, uma pessoa deve praticar o Bem (18).

Seres humanos são naturalmente motivados a eliminar o Mal praticar o Bem.


Nos seres humanos existe uma motivação inata que os leva aprender e praticar o Bem a fim de atingir a autorrealização.

 

Formaggio

O Universo pode ser considerado um sistema fechado que naturalmente se expande. Isso faz com que cada um dos ‘subsistemas’ nele contidos tendam à condensação de matéria e gases em estruturas cada vez mais densas, convertendo energia gravitacional em energia térmica e luminosa e promovendo um inevitável aumento da entropia.

No Universo nada permanece.

Além da impermanência da Natureza, tendência à economia de energia também é um fenômeno universal e nem os seres biológicos, são capazes de escapar dela.

No caso particular dos humanos, essa tendência à inação – uma espécie de inércia – sofre a contraposição de outra força inata também universal: o medo da morte.

Dependendo da personalidade do sujeito, a resultante do embate entre essas duas forças será o surgimento da necessidade do sujeito autorrealizar-se.

Assim, por hipótese, podemos entender ‘autorrealização’ como uma força resultante de um complexo conjunto de comportamentos operantes que constituídos pelo sistema de forças decorrentes dos reforços positivos e negativos até então recebidos por um determinado sujeito.

'Autorrealização', pela sua própria natureza, aponta na direção e no sentido do atingimento e manutenção do bem-estar, primariamente para o próprio indivíduo.

Autorrealizar-se é praticar o Bem.

Primariamente, para a satisfação das necessidades fisiológicas e das necessidades de segurança e bem-estar. Secundariamente, para seu grupo familiar e para seu grupo social – necessidade de afiliação, de relacionamentos íntimos e de ser amado; necessidade de reconhecimento e prestígio; necessidade de ‘deixar a sua marca’ para a posteridade.

Em suma, nos seres humanos, a tendência natural à autorrealização, aliada à aprendizagem observacional é capaz de motivar um indivíduo à prevenção e /ou eliminação do Mal e também à preservação e/ou manutenção do Bem; uma busca da “utopia do Bem” pois, por força da natureza, o bem também não permanece.

Em humanos, a tendência universal de economizar energia - inação - é vencida pena necessidade inata da autorrealização.


Caffè & Liquore                                    

 

“Esses tortuosos caminhos para a morte, fielmente seguidos pelos instintos de conservação, nos apresentariam hoje, portanto, o quadro dos fenômenos da vida.”  (Sigmund Freud, 1920)

 

O universo existe, se expande e, por isso, existe uma tendência natural ao aumento da entropia.

Clóvis (21) , me perdoe: o Bem existe desde o princípio – inclua-se nele o prazer – e o Mal, com suas dores, nada mais é que um abalo, uma contingência, um estado de exceção do bem-estar. Por isso, o desespero tem fronteiras, sim!

§

Nascemos felizes e temos uma tendência inata à Felicidade; o sofrimento é estranho à espécie humana.

Vivemos para retornarmos à Felicidade, e, por isso mesmo, já nascemos com os recursos necessários para, diante de uma inevitável imposição do Mal, empreendermos nossa Odisseia pessoal a fim de retornarmos ao ‘nosso lugar’ e restaurarmos a eudaimonia, pelo menos em nosso universo particular.

E o Mal?

Considerando que existe o aumento da entropia no Universo, e que é da natureza humana a banalização, até mesmo do Bem, e também considerando que, na natureza, é inevitável a ocorrência de catástrofes, notamos que o Mal se impõe fazendo com que o bem ad eternun pareça uma utopia.

Mas, não fosse a existência do mal-estar, não daríamos a devida importância para o bem-estar.

Permaneceríamos inertes a usufruir o Bem, como estava Ulisses (22) em Ítaca, antes de partir para a Guerra de Troia.
E é exatamente nessa inércia que reside a armadilha da estagnação, da mesmice, do não desenvolvimento, da mediocridade.

Fellzmente todos nós, seres humanos, temos um Ulisses interior que nos compele à nossa própria Odisseia individual, à nossa jornada de retorno ao ‘nosso lugar’ dentro de cada universo particular. Mas, para que isso ocorra, para que o Ulisses interior de cada um de nós emerja, precisamos da ocorrência do Mal.

Dada e existência do livre-arbítrio, eis aqui o papel insubstituível do Mal: retirar o ser humano da sua ‘zona de conforto’: criado um mal-estar, seres humanos são capazes de desafiá-lo; ficam motivados ao ponto de encará-lo e enfrenta-lo, para aprender com o próprio mal qual o caminho de retorno ao bem-estar.

Quando o Mal ocorre, todos almejamos o retorno do Bem, para sentirmos que ‘as coisas estão de volta ao seu lugar’ e achamos que, assim, estamos contribuindo para a eudaimonia (23) .

Ou ainda, para aqueles que tem fé, Deus permitiu a imperfeição – o Mal – por amor ao seres humanos. Assim fazendo, Ele criou a oportunidade de cada ser humano, por livre e espontânea vontade, dirigir seus esforços pessoais e, através do religare, empreender o caminho de volta a Deus através do autodesenvolvimento; um caminho de retorno ao Bem Eterno.

§

 

DEDICATÓRIA

Alicia

 

 

 

 

Para Alícia A.B. Araújo. Mineira, mãe, amiga e cozinheira de mão cheia.


Em São Paulo, 09/07/2023.
MRM
CRP 06/34559

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(1) Como vimos em João Paulo II

(2) Como vimos em René Descartes

(3) “Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos, / mal rompe a manhã (...) ” O Lutador  (Andrade, 1962)

(4) Nos campos das ciências sociais e humanas, por exemplo, os modelos científicos são usados para compreender e explicar o comportamento humano, as interações sociais, os processos psicológicos, os sistemas econômicos e políticos, entre outros.

(5) Vide Anexo-14, onde estão descritos principais princípios do modelo científico vigente.

(6) Vide Lei da Conservação da Energia em https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_conserva%C3%A7%C3%A3o_da_energia . acesso em 03/07.2023 com as palavras chave lei; conservação; energia.

(7) Por exemplo, a formação de estrelas e galáxias ocorre pela condensação de matéria e gases em estruturas cada vez mais densas, convertendo energia gravitacional em energia térmica e luminosa

(8) Entropia pode ser entendida como uma medida da informação em um sistema. Quanto mais desordenado e imprevisível um sistema, maior é a sua entropia e menor é a informação contida nele. Por outro lado, sistemas altamente organizados e estruturados têm baixa entropia e contêm mais informação.

(9) “Uma das hipóteses mais amplamente aceitas é a hipótese do RNA. Segundo essa ideia, as primeiras formas de vida podem ter sido baseadas em moléculas de RNA autorreplicantes, em vez de DNA. O RNA tem a capacidade de armazenar informações genéticas e também pode atuar como uma enzima, catalisando reações químicas. Assim, é possível que moléculas de RNA primitivas tenham surgido aleatoriamente em condições propícias na Terra primitiva. ”  (GPT, 2023) consulta com as palavras-chave “Evolucionismo”, “início”, “vida” e “Terra”.

(10) A Teoria da Evolução foi proposta por Charles Darwin (1809-1882)  com o lançamento do livro de Charles Darwin de 1859 a Origem das Espécies[

(11) Etologia é a ciência que estuda os hábitos animais, a maneira como se comportam em seu ambiente natural. (Garcia, 1978 v.1 (2))

(12) Dualismo Interativo é a ideia que a mente e o cérebro são entidades separadas que interagem para produzir sensações, emoções e outras experiências conscientes. “Descartes afirmava que todos os seres humanos tinham uma existência dual – um corpo que funciona como uma máquina e uma mente pensante e imaterial ou ‘alma’. ” (O Livro da Psicologia , 2012)

(13) Condicionamento é “um processo de aprendizagem pelas associações entre os eventos ambientais e as respostas comportamentais. ” (Hockenbury & Hockenbury, 2003)

(14) Eliciar  = desencadear ou trazer à tona uma resposta inata do organismo.

(15) Estímulos aversivos tipicamente incluem desconforto físico ou psicológico do qual um organismo tenta fugir ou evitar. O Mal é, em si um estímulo aversivo.

(16) Estímulo Incondicionado (UCS): estímulo primário que, de forma reflexa, desencadeia uma resposta sem a necessidade de aprendizagem anterior. (Hockenbury & Hockenbury, 2003)

(17) Recompensa:(aprendizagem) a recompensa é um fortalecimento ou reforço ou estímulo com a finalidade de motivar um indivíduo a executar determinada tarefa; estímulo incondicionado. (Dorsch, 2001)

(18) “O principio da Homeostase estabelece que o corpo monitora e mantém níveis relativamente constantes de estados internos como a temperatura do corpo, os níveis de fluídos e o suprimento de energia. Se qualquer uma dessas condições internas desvia-se muito do nível ideal, o corpo inicia processos de trazer a condição de volta ao normal ou ao limite da normalidade.” (Hockenbury & Hockenbury, 2003)

(19)Mal  aqui é usado  cf (Maximino, 2023). Vide o artigo O Mal.

(20)Bem aqui é usado  cf (Maximino, 2023). Vide o artigo O Bem

(21) Refiro-me a Clóvis de Barros Filho, que afirmou: “Podemos até fugir mas nunca escapar. Ora, por isso o desespero não tem fronteiras. Só nascemos para sofrer e morrer novamente. Não há nada além da dor. E o prazer? É quando a dor diminui.” [Vide. Barros Filho, 2017: 33)

(22) Ulisses, também conhecido como Odisseu, era o rei de Ítaca, uma ilha grega localizada no Mar Jônico. Ele era conhecido por sua astúcia e inteligência, características que o tornaram um personagem central tanto na "Ilíada" quanto na "Odisseia", dois poemas épicos atribuídos ao poeta grego Homero
(23) Eudamônia = a harmonia como o Cosmos que, por sua vez é ordenado e onde cada um tem o devido lugar,

 

Obras Citadas

Andrade, C. D. (1962). Antologia Poética. Rio de Janeiro: José Olympio.
Barros Fillho, C. d. (2017). Em Busca de Nós Mesmos. Porto Alegre: CDG.
Dorsch, F. (2001). Dicionário de Psicologia Dorsch. Petrópolis-RJ: Vozes.
Ferreira, A. B. (1999). O Dicionáro da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Ferreroni Júnior, M., & Francioulli, P. O. (2022). Quando é Deus quem Pergunta:um caminho de autoconhecimento, oração e vida cristã. São Psulo: Cultor de Livros.
Freud, S. (1856 - 1939). Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago.
Garcia, F. L. (1978 v.1 (2)). Etologia Uma Definição dos Objetivos. Semina - Universidade de Lonfrina, 17-21.
GPT, C. (2023). Introducing Chat GPT. https://openai.com/blog/chatgpt acesso em 09/07/2023.
Hockenbury, D. H., & Hockenbury, S. E. (2003). Descobrindo a Psicologia. Barueri: Manole.
Maximino, M. (2023). http://www.marcosmaximino.psc.br/marcosmaximino_Bem.asp acesso em 09/07/2023
Maximino, M. (2023). http://www.marcosmaximino.psc.br/marcosmaximino_Mal.asp acesso em 09/07/2023
Messori, V. (1994). Cruzando o Limiar da Esperança. Rio de Janeiro: Francisco Alves.
O Livro da Psicologia . (2012). The psichology book. São Paulo: Globo.

 

Para referir: MAXIMINO, MR . Uma Pitada de Ciência na Salada do Bem e do Mal. disponível em www.marcosmaximino.psc.br/marcosmaximino/acesso em dd/mm/aaaa.

Publicado em : 09/07/2023 ; atualizado em: 19/07/2023.

 

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Anexo-1

MOTIVAÇÃO
Existem diferentes teorias e abordagens dentro da Psicologia que tentam explicar a motivação humana em termos de múltiplas dimensões. Alguns dos principais componentes da motivação incluem:

  1. Motivação intrínseca: É a motivação que surge de dentro da própria pessoa. É impulsionada por interesses pessoais, prazer, curiosidade ou satisfação em realizar uma tarefa ou atividade.
  2. Motivação extrínseca: Refere-se à motivação que vem de fatores externos, como recompensas, punições, elogios, reconhecimento social ou pressões sociais. A pessoa realiza uma tarefa para obter uma recompensa externa ou evitar uma consequência negativa.
  3. Motivação biológica: Está relacionada às necessidades e impulsos biológicos, como fome, sede, sono, sexo, entre outros. Essas necessidades influenciam o comportamento motivado das pessoas.
  4. Motivação cognitiva: Envolve processos cognitivos, como crenças, expectativas, metas pessoais, autoeficácia e autocontrole. As pessoas são motivadas quando acreditam que podem alcançar um objetivo específico ou quando acreditam que uma determinada ação resultará em uma recompensa desejada.
  5. Motivação emocional: As emoções desempenham um papel importante na motivação humana. Desejos, medos, prazer, aversão e outros estados emocionais podem influenciar a motivação para agir ou evitar certas situações.

Essas são apenas algumas das dimensões da motivação que a Psicologia considera ao estudar o comportamento humano.

 

 

 

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